Adriana Partimpim vive a sorrir

Quando eu era cria­nça e as pes­soas me per­gun­ta­vam:
– Como é teu nome?
Eu res­pon­dia:
– Adriana Par­tim­pim…
Não sei que nome era esse mas acho que era o meu nome pró­prio. Em todo o caso meu pai nunca me cha­mou de outra coisa, e até hoje ele só me chama de “Par­tim­pim”.

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Quen conta a anécdota é a cantante e compositora brasileira Adriana Calcanhoto, recoñecida hoxe como unha das máis importantes voces da MPB contemporánea.  Música, letrista, cantante, escritora, … Calcanhotto confésase “infectada polo micróbio do samba” desde que ten uso de razón e gosta de mesturar nas súas composicións elementos do tradicional e do contemporáneo, do culto e do popular, cunha capacidade evidente para tornar en cancións poemas inimaxinablemente musicables e para facer aparecer nas músicas referencias constantes a músicos, escritores, pintores e outros artistas.

O intelectual portugués Eduardo Prado Coelho referíase así a Calcanhotto e a súa música, nun artigo que sintetiza a opción estética da brasileira (“O simples mais difícil”):  Aqueles que um dia descobriram Adriana Calcanhoto poderão colocá-la do lado de um certo minimalismo afectivo-musical. As letras das canções são extremamente bem construídas, e revelam um saber ou uma intuição poéticas absolutamente surpreendentes. Nunca escolhem o discurso arqueado, o fraseado sumptuoso, a cascata verbal, na sua imponência de fogo de artifício. São a luz elementar que permite sobreviver, numa voz que vem sempre à tona de água, mas parece despertar de um sono líquido, azul, inocente e animal. Ela canta como um gato que dá voltas para encontrar esse lugar maravilhoso que é o da posição certa para se estar ao meia-dia e trinta e quatro, numa rua do Leblon, num apartamento voltado para o mar, com madeiras corroídas pelo sol e e o sal. Tem uma data, tem um lugar, tem uma hora, tem uma razão de acontecer, tem uma almofada, tem um quadrado do chão, tem uma réstea de sol, tem um estore enferrujado, tem um corpo, uma voz, um gesto sem medo: e isso basta. A beleza deste disco vem de ser capaz de nos repetir em cada canção: é só isto, mas isto basta, tudo o resto seria inútil, tão difícil ser simples, mas tão simples afinal, tão num toque da pele, tão no outro lado do pulso.

Mais Adriana Calcanhotto conta cun alter ego feliz,  Adriana Partimpim,  o nome de fantasía que adoptou, como se fose unha heroína das historias en banda deseñada, para facer os seus proxectos dedicado ás crianzas, ás nenas e nenos pequenos. Co mesmo pouso de melancolía que verniza igualmente as súas composicións para adultos, Partimpim achéganos sambas dos anos 30, can­cións de amor, ver­sións de bossa nova, nanas para adul­tos de Arnaldo Antu­nes, temas de Baden Powell…  O resultado mestura dozura, alegría, saudade, sorrisos, inocencia e ritmos varios nun show que tamén presentou ao vivo cunha posta en escena brillante e divertida.

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